Caríssimos amigos,
Muito brevemente temos um
Eclipse solar, com totalidade
e aqui bem pertinho.
Quase diria, ‘mesmo aqui à porta’…
O mapa acima mostra a projecção da totalidade. É a sombra da Lua, sobre a Terra. É o percurso do eclipse.
A totalidade, em cada momento, tem a forma de um círculo com algumas dezenas de quilómetros e que se desloca de Oeste para Este a uma velocidade de, pelo menos, 3400 km/h. A deslocação desse círculo é que faz a ‘faixa da totalidade’. Ao longo da linha tracejada no mapa a duração da totalidade é máxima, apenas 1m46s. Vai decrescendo para os rebordos da faixa da totalidade, até que a Lua deixa de cobrir por completo o Sol.
A sombra, onde a Lua encobre completamente o Sol chama-se ‘umbra’.
Data:
12 de Agosto
Hora: A partir das 18:30 - invariável, não sujeito a alterações.
Local:
Norte de Espanha, ver mapa acima.
É na totalidade que ‘a magia’ começa. Ou melhor - uns segundos antes…
A totalidade tem uma mística sagrada, com uma série de fenómenos físicos, ópticos e até climáticos, em que o ‘anoitecer forçado’ faz parar o chilriar dos pássaros, e acender os candeeiros por falta de luminosidade.
Vi, num texto sobre eclipses, que ver um eclipse sem assistir à totalidade, é como passar à porta do cinema e dizer-se que se viu o filme.
Fotografia do eclipse da América de 14 de Agosto de 2017
A sombra parcial, onde apenas uma parte do disco solar está encoberto pela Lua chama-se a ‘penumbra’.
Tem de se observar o Sol com óculos especiais para o efeito, sob pena de danificar de forma grave e permanente o globo ocular e a retina.
Fora da trajectória da totalidade, na penumbra apenas se vê umas dentadas do Sol a serem comidas, até que a sombra da Lua sobre o Sol desaparece tão discretamente como apareceu. Nas margens da penumbra nem se dá pela passagem do eclipse.
A cereja no topo do bolo
Há duas coincidência muito interessantes, que fazem uma viagem ao eclipse valerem (mais) a pena.
Duas coincidências. Duas cerejas, portanto…
Primeiro:
A ‘chuva de estrelas’ das Perseidas têm o pico de actividade em 12 e 13 de Agosto. Na mesma altura do ‘nosso’ eclipse.
Segundo:
Vários locais por onde passa a totalidade do eclipse, no interior de Espanha onde estaríamos para o ver, são também locais escassamente povoados e logo, com pouca poluição luminosa do céu nocturno.
A área do Norte de Espanha onde passa a faixa da totalidade do eclipse, não tem poluição luminosa do céu e é particularmente favorável para boa observação do céu nocturno!
O interior de Espanha, onde será o local escolhiodo para observarmos o eclipse, é uma região de povoamentos (cidades e vilas) bastante concentradas, com pouca presença humana nos campos. Corresponde a áreas de ‘céu escuro’, com pouca poluição luminosa, particularmente favoráveis à observação do céu nocturno.
Em Portugal há localidades e aglomerações por todo lado, e a poluição luminosa é generalizada. O Alqueva será dos sítios mais escuros do nosso país, sem que seja ‘verdadeiramente escuro’.
Segundo os dados no mapa ao lado, o céu nocturno do interior de Espanha aparentemente é mais escuro que o ‘Dark Sky Alqueva’, que já ganhou fama como observatório astronómico…
As Perseídas fotografadas em longa-exposição por Gabriel Gonzalez Valverde / GettyImages.
As Perseídas são o resultado de detritos do cometa Swift-Tuttle, cuja orbita se intersecta com a Terra e como os planos orbitais são constantes, intersepção ocorre sempre no mesmo ponto da orbita terrestre: madrugada de 12 e 13 de Agosto.
Segundo a wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/Perseids, as Perséídas atingem o máximo nas horas da madrugada, dos dias 12 e 13 de Agosto, com uma média de 100 meteoros por hora. É dos melhores enxames de estrelas cadentes do ano.
Temos a vantagem ‘incorporada’ da Lua-Nova, por coincidência do eclipse, de modo que não temos luminosidade da Lua a iluminar o céu.
Para os meus amigos que habitualmente fazem campismo na primeira semana de Agosto, e para os meus amigos e conhecidos que, porventura não façam, sugiro o seguinte programa de actividades para ‘juntar’ o convívio, o campismo, a observação do eclipse e a observação da ‘chuva de estrelas’ das Perséidas:
Alterarmos a semana do campismo para a semana do eclipse de 8 a 16 de Agosto, em vez do habitual 1 a 9 de Agosto.
Por uma questão de proximidade do local do eclipse no Norte de Espanha, fazer-se o campismo em Miranda do Douro, onde podemos ter apoio da família Raposo.
Todos os que quiserem apreciar o eclipse do dia 12 e a chuva de estrelas da madrugada seguinte, para a noite de 12 para 13, arranjar um alojamento junto ao eixo viário León-Burgos (estrada A-231), no sector do cruzamento com a A-47 (Palencia-Zamora- Miranda do Douro), fora das localidades, para evitar a poluição luminosa e com qualidade-preço conveniente.
Têm o meu contacto, que não divulgo nesta página da internet (=pública e aberta), digam-me a vossa opinião sobre esta possibilidade de assistir a mais um evento ‘espectáculo da Natureza’, desta forma pode ser 2-em-1, dois espectáculos pelo esforço de uma só viagem; ao mesmo tempo que se acomoda o campismo, onde já estaremos juntos e assim facilitar as deslocações se vários do mesmo grupo quiserem participar nas duas actividades, o campismo e ver o eclipse.
Segundo o algoritmo do GoogleMaps, demora 2h48m a fazer o trajecto de Miranda do Douro até a intersecção das autoestradas A-231 e a A-47. Claro que esta tempo é uma aproximação e não entra em linha de conta com paragens necessárias e obrigatórias no caminho. Mas este tempo é indicativo do esforço a fazer, para chegar próximo do local de observação do eclipse, a partir de Miranda do Douro - muito menos que de Miranda a Lisboa…
Aguardo :-)