Os dois primeiros patamares da escada estão superados / dominados. Com grande esforço, valentia e determinação conseguimos chegar ao ponto mais alto da Serra de Gredos, o Pico do Almanzor a 2591 m!
A Serra de Gredos é a serra mais próxima de Portugal, com uma altitude significativamente mais elevada.
Qual é, então, o próximo desafio? Qual o próximo patamar da escada?
Será mais longe de Portugal, que Gredos, e terá mais 764m…
o 3º patamar!
Foto: Cesar Cid / Unsplash. Fornecida através do alojamento na internet da página de www.smatos69.com
O terceiro patamar é nos Pirenéus, entre a França e Espanha.
Entre o Circo de Garvarnie (Fr) e o Vale de Ordesa (Es), encontramos o ‘Monte Perdido’, com 3.355 m de altitude.
Foto: Clémence Macary / Unsplash. Imagem do Vale de Ordesa fornecido pelo serviço de alojamento da página na internet.
Foto: Sonia van Acolyen / Unsplash. Imagem do Circo de Gavarnie fornecido pelo serviço de alojamento da página na internet.
Vamos até os Pirenéus, a maior cordilheira montanhosa da Península Ibérica, com mais picos acima dos 3000 metros.
Os Pirenéus têm aproximadamente 500 quilómetros de comprimento e uma largura de 150 km, na parte central, mais larga.
Este evento pode ser dividido em três partes:
Uma ida, de carro, de Portugal para os Pirenéus,
Uma travessia pedestre, em autonomia, sobre o eixo da cordilheira pirenáica,
Outra viagem automóvel, de regresso dos Pirenéus para Portugal.
Será uma viagem longa, mas o facto de ser uma estrada por onde raramente passamos faz da paisagem uma experiência nova e apetecível. Dentro dos Pirenéus vamos ser surpreendidos pela imponência da paisagem.
O primeiro objectivo será de deixar um veículo no ponto de chegada do percurso pedestre, para termos transporte à saída. Depois outro carro vai-nos levar à vila de montanha de Gavarnie, em França. Gavarnie está no fundo de um vale profundo, esculpido por sucessivas glaciações; é um local de uma beleza invulgar e impressionante.
Gostava de ter um dia inteiro em Gavarnie, que o sítio é de uma beleza impressionante!
Com as voltas ‘para a frente e para trás’ com os carros, isso infelizmente não será possível.… Mas aproveitaremos o tempo que lá estamos, para usufruír do sítio.
Sábado, dia 6, iniciamos a marcha no parque de estacionamento de Col de Tentes. Nesse primeiro dia teremos um percurso quase plano, apenas com 180 metros de desnível no último quilómetro.
Ficamos alojados no Refuge de Sarradets, onde a comida me parece ser muito boa… https://refugebrechederoland.ffcam.fr/notre-cuisine.html Será o primeiro dia de abertura da época de 2026 neste refúgio. Deverá estar tudo limpinho, à nossa espera :-)
No segundo dia subimos 210 m nos primeiros 700 m até a fronteira com Espanha. A fronteira está na famosa ‘Brecha de Roland’. Do lado espanhol descemos até o Refúgio de Goriz. Serão 7 km no total do dia e ainda podemos (devemos!) visitar as grutas de gelo, fenómeno invulgar, pouco acessível - e gratuito.
O terceiro dia será para a tentativa de subir ao topo do Monte Perdido. Este percurso é facultativo, na medida que quem estiver sem resistência ou vontade, pode ficar no refúgio a descansar, que no dia seguinte saímos desse mesmo local. A subida ao topo do monte é, no entanto o objectivo do passeio, embora o usufruto das paisagens sejam um objectivo em si…
A subida ao topo é um percurso de 3,5 km e tem uma ascenção vertical de 1100 m. É um ‘esticão’, comparável à subida ao Pico (da casa da montanha) ou ao Toubkal (a partir do Refuge Toubkal-CAF). Veremos como estará a meteorologia e como estarão as nossas resistências… Chegar ao topo é sempre recompensador; se for possível, tentaremos!
No quarto dia de caminhada começamos no Refúgio de Góriz, descemos dos 2200 metros de altitude para o estacionamento de Pradera de Ordesa a 1320 m. Não haverá subidas neste dia, e apenas uma descida escarpada onde há correntes metálicas presas à rocha para segurança. São 200 metros de descida num percurso de ~1 km; o resto do dia será em terremo quase plano.
Nota sobre a Geologia dos Pirenéus:
A cordilheira pirenáica resulta da colisão entre a placa tectónica africana e a placa euroasiática, e onde a placa ibérica tem um comportamento independente e está ‘entalada’ entre duas placas gigantes em colisão. Por isso temos um enrugamento montanhoso em cada rebordo da placa ibérica, onde contacta com as suas vizinhas.
Os Pirenéus são, por isso, um enrugamento montanhoso e um fenómeno muito mais recente do que as montanhas portuguesas, que resultam de falhas em material geológico muito mais antigo. A observação atenta das paisagens da cordilheira pirenáica revela uma variedade considerável de materiais e uma uma grande complexidade de estruturas geológicas.
Como o enrugamento dos Pirenéus fez elevar o material rochoso a altitudes maiores, os períodos frios das épocas glaciárias tornou o fenómeno muito mais intenso nos Pirenéus que nas montanhas portuguesas.
A altitude onde há um saldo térmico negativo, e assim permite a acumulação de gelo permanente, varia consoante a exposição ao Sol. Nas encostas viradas a Norte, essa altitude é de aproximadamente 2700 metros. Por isso vamos passar ao lado, e por cima (!) de alguns glaciares residuais, vestígios de períodos mais frescos dos séculos XIV a XIX. Mesmo nos sítios onde não há glaciares, a paisagem está completamente vincada e modelada pela acção erosiva dos glaciares, que em tempos já cobriram a quase totalidade da cordilheira, com espessuras de gelo que chegaram quase a mil metros em alguns locais (na região onde nós vamos passar, a espessura máxima rondava os 800m!)
Gavarnie (França)
A travessia pedestre será o momento principal do evento: vamos usar três dias para atravessar o eixo principal da cordilheira, em um dos seus sectores mais elevados. Vamos ascender aos 2800 m de altitude.
Esta parte dos Pirenéus é famosa pelas suas paisagens e muito visitada por caminheiros de ambos os lados da fronteira franco-espanhola que atravessa a cordilheira. Do lado francês: Gavarnie e o Parc National des Pyrénées, do lado espanhol o Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido. É uma região com valores naturais muito importantes.
Na Volta à França em bicicleta, o circuito passa habitualmente pela região dos Pirenéus, com vários prémios de montanha. Vamos passar pelo Col du Tourmalet no nosso percurso, que é um dos locais muito frequentemente utilizado no ‘Tour’…
Para tornar a subida mais acessível aos participantes, vamos dividir a subida por dois dias, com o Refúgio de Sarradets no meio da subida para a famosa Brecha de Roland, onde iremos passar a fronteira para a Espanha.
Um dia vai ser bem usado para tentarmos a subida ao topo do Monte Perdido, a 3.355 m. Vamos subir pela ‘via normal’, pela famosa Escupidera. No início de Junho ainda deve estar coberta de neve, o que facilitará a nossa ascenção, com a ajuda do nosso novo material de montanhismo.
Imagem: wikimedia J20_755 St.-Lary-Soulan
Ordesa (Espanha)
O vale do rio Soaso, em Ordesa, onde passa o nosso percurso. Ao fundo o Monte Perdido.
Imagem: wikimedia.
Vamos atravessar o Parque Nacional de Ordesa e Monte Perdido.
É o segundo mais antigo Parque Nacional de Espanha, assim designado em 1918! Em 1977 foi designado Reserva da Biosfera, em 1988 Zone de Especial Protecção de Aves e em 1997, em conjunto com o Parc Naturel des Pyrenées foi declarado Património Natural e Cultural da Humanidade pela UNESCO (ONU).
Há 1400 espécies vegetais no parque, das quais 83 só existem nos Pirenéus (são ‘endemismos’).
Abrange o ‘mundo mediterrânico’ com Invernos amenos e Verões tórridos, o ‘mundo europeu’ com Invernos frescos e Verões amenos, até o ‘mundo glaciário’ no topo das montanhas e os andares intermédios, de um lado e outro - o andar montano e o andar alpino... Cada um tem características próprias e únicas.
Relativamente aos animais, a cordilheira pirenaica, enquanto fronteira entre dois países e entre dois mundos climáticos e naturais, tem tido a capacidade de resguardar muita vida selvagem. Existem lá várias aves de rapina, entre elas, a águia-real e o falcão-peregrino (a ave mais veloz do mundo), várias colónias de grifos, abutre-preto e abutre britango. É o último reduto do abutre quebra-ossos, a maior ave da Europa.
Existe lá o veado, o corço, o javali e a cabra-montez. Há ursos pardos, cerca de 60 adultos em toda a cordilheira, mas não há outros predadores ‘de topo’ (lobo ou lince, p.ex.). Há, no entanto lontras e provavelmente castores, nos rios…
Nós vamos atravessar o parque nacional e percorrer o vale mais comprido do parque. No entanto, é também o sítio mais turístico do parque e a seguir a Andorra, o mais visitado, pelo lado espanhol. Não deverá haver animais selvagens no nosso percurso, com muita sorte poderemos ver um abutre ou uma marmota…
NOVO !
Calendarização do evento: ver nesta página!!